Clark Cerqueira Enegelhardt Veronez
21 anos - Estudante do curso Técnico de Informática no IF Sudeste MG, campus Manhuaçu

20/02/2022 22:33

Bandeira LGBT+ de inclusão racial e, ao lado, a bandeira trans.

Parelelismo cultural das perspectivas sexuais em regiões com economias políticas antagônicas

Muito se discute sobre a pauta LGBT+ ser ancorada em determinado espectro político. É verdade que esse espectro parece mudar conforme muda o acusador e seus interesses. Por tal, também se torna importante analisar sobre quais fundamentos esses carimbos sociais estão calcados.

No Brasil de 2022, essas associações parecem ainda mais confusas: a direita conservadora (e grande parte da liberal) chama de esquerdistas nefastos aqueles que buscam direitos e evocam um pensamento crítico sobre questões de gênero e sexualidade. Em contraponto, algumas alas da esquerda radical chama de identitarismo liberal/disforia burguesa o mesmo ato. O quê é então a luta e o movimento LGBT+?

É fato que existem pautas e indivíduos dentro do movimento que atendem mais às demandas liberais, principalmente com a atual comercialização dos interesses do movimento, mas é obscurantismo ignorar que uma outra ala da comunidade está muito interessada na luta de classes e revogue do sistema capitalista. Isso não se estagna sobre a nossa época, se estende também às concepções macro das grandes e pequenas potências durante períodos históricos significativos para a luta pela liberdade sexual. Na Alemanha Nazista e na Itália fascista, símbolos da extrema direita, se punia a homossexualidade com câmara de gás, perseguição política e pessoal, prisão e morte, e na URSS de Stálin não era diferente (adendo para a substituição da câmara de gás por gulags). Porém, em pontos diferentes da história desses países se observa diferentes níveis de acolhimento para a causa. Por exemplo, com a Revolução Russa dos bolcheviques, extinguiram a punição e a perseguição aos homossexuais, pouco tempo antes de teorizarem uma possível relação dessa expressão afeto-sexual com espionagem e aderirem políticas mais agressivas e tortuosas sobre o assunto quando Stálin assumiu o poder. Além disso, diferentes autores socio-econômicos divergem sobre seus ideais quanto à liberdade sexual, mesmo que, categoricamente, façam parte do mesmo espectro político. E isso não se restringe aos ideais ditos mais radicais, como os supracitados, mas no Reino Unido de 1945, Alan Turing, um grande símbolo científico da luta contra o nazismo, foi submetido à castração química no Reino Unido de 1952 por ser homossexual, mesmo contribuindo para diversos avanços tecnológicos de seu país e do mundo. Posteriormente, veio a cometer suicídio.

O ponto aqui discutido é: a luta é ininterrupta, dado que nada assegura qualquer integridade material da população LGBT+. Esses direitos são, além de uma conquista de trabalho árduo, efêmeros e modulados por autoridades frágeis que detêm poderes de protocolar e sancionar leis que determinam se esta comunidade estará vivendo ou sendo perseguida no dia seguinte. Nesse aspecto, avanço do despertar social para essa problemática é crucial para que o pensamento coletivo de bem-estar sobressaia o ódio.