Clark Cerqueira Engelhardt Veronez
21 anos - Estudante do curso Técnico de Informática no IF Sudeste MG, campus Manhuaçu

20/02/2022 06:23

Bandeira LGBT+ de inclusão racial e, ao lado, a bandeira trans.

A opacidade das dores e reivindicações de pessoas pretas dentro da comunidade

Ao examinar o zeitgeist do movimento LGBT moderno, vemos claras expressões e contribuições da cultura negra ocidental e outras etnias subjulgadas, mas quando olhamos para as representações midiáticas, raramente encontramos algo que remeta à tais identidades. Geralmente, as caras que estampam frentes jornalísticas e comerciais sempre estão em tom de pele branco.

Não é mentira que a comunidade homossexual fomenta padrões estéticos que tornam corpos em objetos de modelagem de academia, mas quanto disso se distancia do resto da sociedade do ponto de vista racial e por quê é importante revisarmos nossa luta para além da liberdade sexual?

A história costuma ser validada por aqueles que sobrepõem povos nativos, retirando da sua etnia a autonomia de contar suas próprias histórias e obter empatia e comoção social. Dito isso, questiono: será que estamos olhando para crianças pretas LGBTs e escutando suas histórias tanto quanto para crianças brancas quando nos comovemos com casos de homofobia? Não chega a ser questão de balancear dores (até porque, em ambos os casos, o repúdio e a Justiça deveriam ser aplicados e sentidos), mas, nos atentando aos olhos desapercebidos, por quê quando Pedro, um menino branco de escola privada, é agredido por incentivos homofóbicos, a sociedade parece se comover mais do que quando Matheus, um menino preto que nasceu, mora e convive na periferia, sofre o mesmo? Por quê é absurdo que Pedro sofra homofobia mas é cotidiano/compreensível que Matheus sofra o mesmo?